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Política

Governo do RS define estratégia para suportar pressão contra restrições

26 de março de 2020
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Eleito com apoio das entidades empresariais do Estado e alinhado ao pensamento liberal, o governador Eduardo Leite (PSDB) vê crescer a partir do setor empresarial um desafio extra no combate ao avanço do coronavírus: a pressão pelo relaxamento das restrições do convívio social. Na manhã desta quinta-feira, a Farsul, a Fiergs e a Federasul lançaram um manifesto intitulado ‘Pela Reativação da Economia Gaúcha’. Leite respondeu poucas horas depois, para o conjunto da população, na live que passou a fazer diariamente às 14h, na página do Facebook do governo do Estado, para tratar da pandemia. “A orientação continua a mesma: fiquem em casa”, assinalou.

No final da tarde desta quinta, Leite realiza teleconferência com o presidente da Famurs e prefeito de Palmeira das Missões, Dudu Freire, para tratar da estratégia para conter a pressão. A Famurs propõe a edição de um novo decreto, que uniformize as regras de restrição para todos os municípios do Estado, mas é preciso conferir a viabilidade jurídica da medida. O decreto estadual, por exemplo, não traz restrições à indústria e a construção civil, mas alguns municipais sim.

No manifesto da manhã, as três federações propõem que empresas retomem 50% de suas atividades a partir de 1º de abril e passem a operar com 100% a partir do dia 6 de abril “atendendo a recomendações de saúde”. “Não temos ainda a estrutura suficiente para nos permitirmos um pico, de a doença chegar antes. E então poderemos perder vidas que poderiam ter sido salvas por causa do atendimento”, rebateu Leite, para em seguida garantir que as medidas de restrição à circulação e ao convívio social seguem em vigor pelo menos até o final da próxima semana.

Nos bastidores políticos, a possibilidade de que a população comece a ‘furar’ as restrições as quais aderiu na semana passada preocupa muito o governo. Mais ainda, porque as dissidências começam a acontecer no estágio que, apesar da confusão feita por muitos, é mais brando que o do confinamento. O RS não está em “lockdown”. Com a ajuda de aliados, lideranças políticas de diferentes partidos e de outros poderes, o Executivo se movimenta para convencer a população do impacto negativo que ceder à pressão neste momento causaria.

O alarme sobre a possibilidade de um rompimento na quarentena foi disparado pela Famurs ainda na quarta-feira, antes do manifesto das entidades e após o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Após ser contatado por prefeitos ansiosos, que muitas vezes carecem nas estruturas municipais de assessorias técnicas fortes, e que não raro mantêm laços estreitos com setores produtivos e empresariais, Freire repassou as informações que lhe chegaram não apenas ao Executivo, mas também a Assembleia Legislativa, ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), ao Ministério Público, a Defensoria Pública e ao Conselho das Secretarias Municipais da Saúde (Cosemes).

“Nas cidades, há muita pressão de entidades e de alguns setores. Boa parte da população e de representantes de entidades acha que o Rio Grande, em quatro dias de isolamento social, já venceu uma pandemia que apavora o mundo e está fechando Nova Iorque. A maioria simplesmente não tem ideia do que é estar na ponta”, desabafa Freire.

Da teleconferência nesta tarde participam o governador, os secretários da Saúde e da Articulação e Apoio aos Municípios e integrantes da Procuradoria-Geral do Estado (PGE).

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