
Aos 74 anos, Bronildo José Wenzel subiu ao palco, vestiu a beca e realizou um sonho guardado por décadas: se formou engenheiro agrônomo pela Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS), em Cerro Largo, na região noroeste do estado.
Um sonho que nasceu ainda na infância. Filho de agricultores, Bronildo sempre quis estudar, mas a prioridade era sobreviver — ele e mais 10 irmãos ajudavam a manter a lavoura viva.
“Era dali que era a sobrevivência. Foi um período realmente mais difícil, passava a noite no trator”, conta.
O tempo passou. Ele casou. Criou os filhos. E mesmo sem ter conseguido cursar uma faculdade naquela época, fez questão de ver os filhos formados na faculdade.
Mas Bronildo não queria apenas torcer. Queria voltar ao ponto de partida e recomeçar.
Estudou para o Enem. Foi reprovado na primeira vez.
Mas não desistiu. Na segunda tentativa, tirou uma nota que o colocou em 22º lugar na classificação geral.
“É só correr atrás, essa que é a verdade. As coisas estão colocadas e a pessoa é que tem que se mexer e realizar, arregaçar as mangas. Para a gente ter uma vida plena, é preciso ter sempre um objetivo a ser alcançado, e isso é uma medida salutar para cada pessoa que quer atingir certa idade. Então, quando o objetivo não está mais presente, parece que não adianta mais nada, a pessoa vai se entregando por si só, e isto faz a diferença. Esse objetivo, seja qual for, sempre vale a pena”, finalizou.
g1rs