
O Governo Municipal de Santo Ângelo enfrentou uma derrota significativa na Câmara de Vereadores na noite desta quinta-feira, quando foi rejeitada, em segunda votação, a emenda à Lei Orgânica que pretendia alterar as regras de aposentadoria dos servidores municipais, alinhando-as aos parâmetros da Reforma da Previdência de 2019. Apesar de obter nove votos favoráveis e seis contrários, a proposta necessitava de pelo menos dez votos para ser aprovada, quorum que a base aliada não conseguiu garantir.
A situação, que já se mostrava delicada devido à resistência de parte dos parlamentares e de servidores, tornou-se ainda mais crítica após declarações de um servidor comissionado (CC) da administração municipal. Em publicação nas redes sociais, o CC insinuou que vereadores do PDT estariam recebendo vantagens para aprovar o projeto — afirmação que desencadeou um mal-estar imediato tanto no Executivo quanto no Legislativo, provocando indignação entre os parlamentares.
Durante a sessão extraordinária, o vereador Osvaldir Ribeiro de Souza fez um duro pronunciamento e chegou a sugerir a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar a declaração e suas consequências. A fala ampliou o clima de tensão e evidenciou o desgaste entre os poderes, já sensíveis diante da matéria previdenciária.
O líder da bancada do PDT, Adolar Queiroz, também reforçou o tom de rompimento político. Segundo ele, o partido deverá adotar medidas mais rígidas a partir do episódio, classificando as acusações do comissionado como “inaceitáveis”. Queiroz afirmou ainda que, daqui em diante, projetos encaminhados pelo Executivo tendem a receber votos contrários da bancada pedetista, acirrando o clima de enfrentamento com o governo.
A derrota na votação, somada à crise desencadeada pela declaração do servidor, expõe fragilidades na articulação política da atual administração e amplia dúvidas sobre a capacidade do governo de garantir apoio para projetos considerados estratégicos. Nos bastidores, vereadores admitem que o desgaste pode se aprofundar caso o Executivo não adote medidas rápidas para recompor sua base e esclarecer o episódio que gerou indignação pública e institucional.
A crise permanece aberta, e novos desdobramentos são aguardados para os próximos dias.
RADIOCIDADESA