
Uma cidade que se projeta como destino turístico, conhecida como a Capital das Missões, não pode naturalizar imagens de confusão, violência e desordem em seus principais cartões-postais. No último fim de semana, a Praça Pinheiro Machado, localizada junto ao Centro Histórico, foi novamente palco de tumultos durante a madrugada, com grupos entrando em confronto em meio a gritaria, desorganização e total ausência de controle.
O que deveria ser um espaço de encontro, lazer e convivência social tornou-se, aos olhos da própria comunidade, um local evitado por famílias, especialmente no período noturno. Pais deixam de levar filhos, idosos evitam circular e comerciantes sentem os reflexos diretos da falta de segurança.
Ainda mais grave foi o episódio registrado na Praça do Brique, onde disparos de arma de fogo foram ouvidos no final da tarde de domingo — justamente no horário em que famílias e crianças costumam ocupar o espaço para momentos de lazer. O fato gera indignação e apreensão: como aceitar que um ambiente destinado ao convívio familiar se torne cenário de tamanha violência?
Não se trata de casos isolados. A repetição dos episódios revela um problema estrutural, que exige respostas claras e ações efetivas. Cabe à Brigada Militar? À Guarda Municipal? Ao poder público municipal, responsável pela iluminação, monitoramento e ordenamento dos espaços? Ou a todos esses órgãos de forma integrada? O silêncio e a ausência de soluções concretas apenas ampliam a sensação de abandono.
É impossível ignorar que a Praça Pinheiro Machado já foi cenário, não muito tempo atrás, de um episódio trágico, quando um jovem perdeu a vida vítima de um ataque com arma branca. A memória desse fato reforça o alerta: a inércia pode custar vidas.
Mais do que discursos, a comunidade espera presença ostensiva, planejamento, prevenção e políticas públicas eficientes. A ocupação positiva dos espaços, aliada à fiscalização, iluminação adequada e policiamento contínuo, é fundamental para devolver às praças seu verdadeiro papel social.
Santo Ângelo não pode esperar que uma nova tragédia aconteça para agir. A responsabilidade é coletiva, mas a iniciativa deve partir das autoridades constituídas. Garantir segurança em espaços públicos não é favor — é dever.
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