
O município de Entre-Ijuís decretou situação de emergência em razão da estiagem prolongada que atinge toda a sua extensão territorial. O Decreto Municipal nº 33/2026, asssinado na manhã desta quinta-feira, 26 de fevereiro, reconhece oficialmente os impactos causados pela severa redução das chuvas, enquadrada como Estiagem.
De acordo com o Parecer Técnico nº 02/2026 da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil, o período entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026 foi marcado por precipitações muito abaixo da média histórica. Foram registrados apenas 99 mm em novembro, 54 mm em janeiro e 57 mm em fevereiro, além de temperaturas superiores a 35°C, com picos de até 39°C, agravando o estresse hídrico nas lavouras e na pecuária.
Perdas na agricultura ultrapassam R$ 155 milhões
Conforme o Laudo Circunstanciado da EMATER/RS-ASCAR, a estiagem afetou diretamente as principais atividades agropecuárias do município:
Soja: 35 mil hectares cultivados, com perda estimada de 60% na produtividade, resultando em prejuízo de aproximadamente R$ 148.996.191,96.
Milho (grão): 6.280 hectares, com redução de 10% na produção, gerando perdas de cerca de R$ 6.276.759,18.
Hortifrutigranjeiros: perdas mínimas de 20%, com prejuízo estimado em R$ 80 mil.
Somente na agricultura, as perdas somam R$ 155.352.951,14.
Pecuária também sofre impactos significativos
No setor pecuário, os reflexos da estiagem também são expressivos:
Bovinocultura de leite: redução de 20% na produção, com queda estimada de 3.340 litros por dia, gerando prejuízo de aproximadamente R$ 192.300,96 em um período de 30 dias.
Bovinocultura de corte: impacto no ganho de peso dos animais, com perdas estimadas em R$ 994.728,00.
Milho silagem: redução de 10%, com prejuízo de R$ 640 mil.
Pastagens cultivadas: perdas de 25%, totalizando cerca de R$ 514.200,00.
As perdas na pecuária alcançam R$ 2.341.288,96.
Impacto total no município supera R$157 milhões
Somando agricultura e pecuária, o prejuízo estimado chega a R$ 157.694.240,10, valor considerado expressivo para um município cuja base econômica é predominantemente agrícola.
Além dos danos econômicos, o Relatório Social da Secretaria Municipal de Assistência Social aponta redução significativa na disponibilidade de água para consumo humano e dessedentação animal, aumento da vulnerabilidade social e crescimento na demanda por cestas básicas e benefícios eventuais.
Com o decreto, o município poderá solicitar reconhecimento estadual e federal da situação de emergência, viabilizando o acesso a recursos e medidas excepcionais para mitigar os danos e auxiliar os produtores e famílias afetadas.
A Defesa Civil segue monitorando a situação e reforça que todas as secretarias municipais estão mobilizadas para atuar de forma integrada no enfrentamento da estiagem.