
Os cursos de Farmácia e Biomedicina da URI Santo Ângelo recepcionaram, na noite de terça-feira (dia 3), o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e professor emérito da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Dr. Rivaldo Venâncio da Cunha.
Na ocasião, o convidado ministrou a palestra “Dengue, Zika e Chikungunya: caracterização epidemiológica e abordagem multidisciplinar no manejo de casos ativos e pós-infecção”, abordando aspectos epidemiológicos e a necessidade de atuação integrada no enfrentamento dessas doenças tropicais.
Como assessor da OPAS – Organização Pan-Americana da Saúde, Rivaldo da Cunha explicou aos acadêmicos que a dengue é transmitida pela picada de um mosquito infectado com um dos quatro sorotipos do vírus da dengue. Segundo ele, trata-se de uma doença febril que pode afetar bebês, crianças e adultos, com quadros que variam de assintomáticos a manifestações com febre baixa ou febre alta incapacitante, além de forte dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores musculares e nas articulações e erupções cutâneas. O pesquisador ressaltou que a doença pode evoluir para dengue grave, caracterizada por choque, falta de ar, sangramento intenso e/ou complicações graves em órgãos.
Durante a fala, ele destacou que não existe medicamento específico para tratar a dengue e reforçou que a doença apresenta padrão sazonal: a maioria dos casos no hemisfério sul ocorre na primeira parte do ano, enquanto no hemisfério norte ocorre, em geral, na segunda metade. Para o pesquisador, a prevenção e o controle devem ser intersetoriais e envolver família e comunidade.
Rivaldo da Cunha também frisou que o Brasil deve manter e ampliar ações para reforçar a vigilância, com o objetivo de melhorar o conhecimento sobre o fardo da dengue. Conforme o palestrante, atividades de vigilância reforçadas são altamente importantes no contexto de surtos de outras doenças transmitidas por vetores, incluindo zika e chikungunya.
O pesquisador fez questão de comentar ainda que a Fiocruz atua no combate à dengue principalmente na incorporação e distribuição da vacina Qdenga no SUS, com foco em públicos prioritários, como adolescentes de 10 a 14 anos, conforme estratégias do Ministério da Saúde. Ressaltou também que a produção nacional de vacinas, inclusive para a dengue, está no foco de instituições públicas.
Ressaltou que a Fiocruz está em processo para produzir no Brasil a vacina Qdenga (TAK-003), aprovada pela Anvisa e incorporada ao SUS, focando na ampliação do acesso para crianças e adolescentes, com estratégias de vacinação iniciadas em 2026 para públicos específicos como profissionais de saúde. O imunizante demonstra alta eficácia, com 89% de proteção contra casos graves.
Ao final, o coordenador dos cursos de Farmácia e Biomedicina, professor Tiago Bittencourt de Oliveira, agradeceu a disponibilidade do Dr. Rivaldo em palestrar na URI e reafirmou que, ao longo de 2026, outros grandes nomes da saúde nacional estarão em Santo Ângelo, promovendo troca de experiências com professores e alunos.