
A prefeitura de Imbé, no Litoral Norte, afastou duas professoras concursadas e exonerou outra profissional após a denúncia de maus-tratos a um menino de 1 ano e 8 meses na Escola Municipal de Educação Infantil Chapeuzinho Vermelho, no Centro da cidade.
O caso aconteceu em 31 de março. Em nota, a Secretaria Municipal de Educação e a direção da escola disseram que substituíram as servidoras que trabalhavam na turma e registraram um boletim de ocorrência policial.
Conforme o relato da mãe do menino, a criança estava há cerca de uma semana na escola, em período de adaptação. Na terça-feira (31), a direção da instituição entrou em contato após identificar marcas na pele do bebê.
— Me perguntaram se meu filho era alérgico a algum alimento porque encontraram marcas na pele dele. Quando levamos no pediatra, ele começou a chorar de uma maneira que nunca vimos. No exame, o médico disse que eram arranhões e machucados — contou a mãe.
O laudo emitido pelo médico apontou que a criança estava agitada, difícil de ser examinada e chorosa. O profissional citou que foram encontradas lesões como contusão, hematoma e escoriação na mão e no ombro do menino, compatíveis com trauma. Ainda conforme o documento, não foram encontrados sintomas de alergia.
Segundo a prefeitura de Imbé, um processo administrativo foi instaurado. Foi determinado o afastamento de 30 dias das duas colaboradoras, podendo ser ampliado.
O delegado responsável pela investigação, Alexandre Souza, apura as hipóteses de maus-tratos e tortura. As três professoras serão interrogadas na tarde desta terça-feira (7). As diretoras das instituições também serão ouvidas, mas como testemunhas.
— Estamos aguardando a prefeitura enviar as imagens das câmeras de segurança da escola. São elas que vão dizer o que realmente aconteceu — explicou o delegado.
O menino passou por exames no Instituto-Geral de Perícias (IGP). A polícia aguarda o laudo, que deve apontar quais lesões e as causas.
Criança também apresentava marcas no peito. Foto: Arquivo pessoal / Reprodução
"Após identificadas as marcas na pele da criança, a escola comunicou a mãe que tais marcas indicavam suspeita de alergia.
Posteriormente, a mãe comunicou a escola de que um laudo médico indicava a possibilidade de marcas causadas por agressão. Após constatada a possibilidade de veracidade dos fatos, a Secretaria Municipal de Educação e a direção da escola, imediatamente, substituíram as servidoras que trabalhavam na turma e fizeram um boletim de ocorrência junto à Polícia Civil, relatando o caso.
Na sala de aula, atuavam três servidoras, duas concursadas e uma contratada temporariamente. Em ato contínuo, a servidora contratada foi sumariamente exonerada e as duas concursadas afastadas preventivamente por 30 dias (podendo esse afastamento ser estendido por mais 30 dias, conforme a legislação municipal) e foi instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), com ordem de prioridade de tramitação aos demais PADs em andamento.
Espera-se que seja atingida a conclusão do PAD antes do prazo máximo de afastamento permitido."