
Após um mês da renúncia da diretoria em razão de uma crise financeira, 22 médicos do Hospital Divina Providência (HDP), de Frederico Westphalen, no norte do Estado, solicitaram demissão coletiva nesta sexta-feira (17). A medida, conforme o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, ocorre após o afastamento de dois profissionais na última semana.
Segundo o presidente do sindicato, Marcelo Matias, os médicos, acompanhados por representantes da entidade, foram até a prefeitura para protocolar os pedidos de desligamento, mas o prefeito, Orlando Girardi (PP), teria se recusado a receber os documentos.
— Fomos até o protocolo da prefeitura para formalizar a entrega das rescisões, mas houve recusa em receber. O gestor pode não concordar, mas não pode deixar de protocolar — afirmou.
De acordo com o Simers, os dois médicos foram afastados na semana passada, sendo um deles delegado sindical. O sindicato sustenta que a medida foi tomada após denúncias sobre condições de atendimento no hospital.
— Consideramos esse afastamento ilegal. Isso gerou uma reação entre os colegas, que já vinham enfrentando dificuldades — disse Matias.
Ainda conforme a entidade, há atrasos nos pagamentos aos profissionais, que podem ultrapassar R$ 800 mil. O cenário teria contribuído para a decisão coletiva.
Diante do impasse, o Simers informou que deve ingressar com uma ação judicial neste fim de semana. O principal pedido será a recontratação dos dois profissionais afastados. A entidade afirma que segue aberta ao diálogo, mas condiciona as negociações ao retorno dos médicos.
— Queremos restabelecer o atendimento e discutir os problemas existentes, mas isso passa necessariamente pela reintegração desses profissionais — disse o presidente.
Crise financeira e renúncia da diretoria
Em 20 de março, após a renúncia coletiva da diretoria em meio a dificuldades financeiras, a administração do hospital foi assumida pela prefeitura mediante decreto. A intervenção tem duração de seis meses.
Conforme a ata da reunião, a instituição enfrenta há anos problemas de fluxo de caixa, acúmulo de obrigações e incertezas quanto à continuidade dos atendimentos.
Segundo informações do Simers, a Câmara de Vereadores de Frederico Westphalen também foi acionada nesta sexta-feira (17) e deve participar de reuniões para tentar mediar o conflito nos próximos dias.
A reportagem entrou em contato com o hospital, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto.
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