
Segundo a investigação, o servidor responderá pelos crimes de promoção de fuga de pessoa presa, inserção de dados falsos em sistema da administração pública, falsificação de documento público e falsidade ideológica. Rudcrei está preso preventivamente desde o fim de junho e nega participação no caso.
Além dele, outros dois policiais penais foram indiciados por prevaricação. Conforme a Polícia Civil, eles teriam identificado inconsistências nos registros do apenado, mas não comunicaram o fato aos superiores. Um dos servidores era supervisor do módulo onde Will estava preso e a outra é uma policial penal que mantinha relacionamento com Rudcrei.
De acordo com o delegado Augusto Zenon, responsável pela investigação, as provas mostram que ambos tiveram acesso a informações que indicavam que o preso aparecia como solto em planilhas internas, mas permanecia registrado como detento no sistema prisional.
A investigação aponta que Rudcrei atuava no setor responsável por receber os alvarás de soltura e encaminhar os presos para a conferência biométrica antes da liberação.
Conforme a apuração, ele teria falsificado o documento de soltura de William e entregue duas vias ao preso, simulando um procedimento regular. Imagens das câmeras de segurança mostram que o detento foi retirado da cela, conduzido até a sala do servidor e, poucos minutos depois, deixou a penitenciária junto com outro preso que possuía alvará verdadeiro.
Os investigadores afirmam que a escolha do horário da fuga coincidiu com o período de troca de visitas, quando há maior circulação de pessoas na unidade.
Após a saída do preso, a polícia sustenta que o servidor tentou apagar vestígios da fraude, retirando documentos, arrancando folhas de registros e alterando planilhas e informações do sistema utilizando senhas de outros funcionários.
A Polícia Civil informou que um novo inquérito seguirá em andamento para apurar a motivação da fuga e a possível participação de outras pessoas.
Na última quinta-feira (30), foi apreendida uma caminhonete Rampage Laramie adquirida por Rudcrei neste ano. Segundo os investigadores, o veículo, avaliado em R$ 235,8 mil, teria sido pago parcialmente por Pix e boleto, em valores considerados incompatíveis com a renda do servidor.
William Ramos Silveira permanece foragido. Com cerca de 34 anos de condenações, ele possui antecedentes por homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa e é apontado pela polícia como um dos principais integrantes de uma facção com atuação na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Segundo a investigação, após a fuga ocorreram homicídios em Cachoeirinha que podem ter relação com o grupo criminoso ao qual o foragido pertence.
Em depoimento, Rudcrei da Costa Machado negou ter facilitado a fuga e atribuiu o caso a falhas de outros setores da penitenciária.
O advogado Jefferson Billo, que representa o policial penal, informou que ainda não teve acesso à conclusão do inquérito, mas reafirmou a inocência do cliente.
Confira a nota na íntegra:
“A defesa de Rudicrei informa que, até o presente momento, não teve acesso aos autos do inquérito policial, nem ao relatório final que fundamentou o seu indiciamento. Ainda assim, reafirma a absoluta convicção na inocência de seu cliente, a qual será devidamente demonstrada no curso da instrução processual, em observância ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. A defesa ressalta, desde já, que há informações divulgadas que não correspondem aos fatos e que serão oportunamente esclarecidas nos autos, motivo pelo qual confia que a verdade será devidamente apurada no decorrer do processo.”