
O que deveria ser um exemplo de mobilização comunitária e valorização dos espaços públicos terminou em indignação para moradores da zona norte de Santo Ângelo. A decisão de uma secretaria municipal de realizar serviços com máquinas pesadas em uma área recuperada pela própria comunidade provocou uma onda de críticas nas redes sociais nesta segunda-feira (3).
A polêmica envolve o campo de futebol localizado na área pública do antigo Estádio Tamoyo, espaço que há anos é utilizado por crianças, adolescentes e adultos para a prática esportiva e momentos de convivência entre famílias.
Durante o fim de semana, moradores organizaram um mutirão voluntário para retirar cupins e realizar melhorias no local. Segundo os participantes, o trabalho foi conduzido com cuidado para preservar o meio ambiente, mantendo intacta uma toca onde, conforme relatos da comunidade, vive uma coruja, além do ninho de quero-quero existente na área.
O resultado do esforço coletivo foi comemorado pelos próprios moradores. Logo após a limpeza, o campo voltou a receber crianças jogando futebol, jovens praticando esportes e famílias aproveitando um espaço que, segundo eles, estava há muito tempo sem vida.
Um dos participantes resumiu o sentimento da comunidade:
"Ontem voltei ao campo de futebol em que retiramos os cupins. Preservamos a toca onde, segundo uma moradora, mora uma coruja e também o ninho dos quero-quero. Constatamos uma presença que fazia muito tempo que não víamos naquele local: jovens, pais e filhos ocupando aquele espaço de uma forma saudável e agradável. A criação de áreas destinadas ao esporte em uma cidade é fundamental não apenas para a saúde e o bem-estar da população, mas também para o desenvolvimento social."
Entretanto, a satisfação durou pouco. Na manhã desta segunda-feira, uma máquina da Prefeitura esteve no local realizando serviços de patrolamento. De acordo com os moradores, a intervenção acabou destruindo parte da área que havia sido preservada durante o mutirão, atingindo o ninho dos quero-queros e a toca da coruja mencionada pelos voluntários.
A situação rapidamente repercutiu nas redes sociais, onde dezenas de moradores manifestaram revolta e questionaram a falta de diálogo entre o poder público e a comunidade antes da realização da intervenção.
A principal crítica não é direcionada à manutenção do espaço público, considerada necessária pelos próprios moradores, mas à forma como ela foi executada. Para eles, bastaria uma vistoria ou conversa com quem participou da recuperação da área para evitar danos ambientais e preservar um trabalho construído de forma voluntária.
O episódio também reacende um debate recorrente sobre a gestão dos espaços públicos em Santo Ângelo. Enquanto a população demonstra disposição para colaborar com a conservação de áreas de lazer e incentivar a prática esportiva entre crianças e jovens, muitos esperam que o poder público atue em parceria com a comunidade, e não de forma a comprometer iniciativas que buscam justamente melhorar o patrimônio coletivo.
Até o momento, a Prefeitura não havia se manifestado oficialmente sobre os motivos que levaram à realização do patrolamento nem sobre os questionamentos feitos pelos moradores. A comunidade aguarda esclarecimentos e espera que situações semelhantes não voltem a ocorrer, defendendo que ações de manutenção sejam planejadas com diálogo e respeito tanto ao meio ambiente quanto ao esforço de quem dedica tempo para cuidar dos espaços públicos.
RADIOCIDADESA