
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) inaugurou nesta sexta-feira, 21 de agosto, a Promotoria de Justiça de Enfrentamento à Violência Extrema e ECA Digital (PROEVE), a primeira unidade especializada do gênero no Brasil. A nova promotoria, criada em caráter de projeto-piloto, representa um avanço institucional no enfrentamento de ameaças de violência extrema, especialmente aquelas relacionadas a crianças e adolescentes, e na proteção de direitos no ambiente digital. À frente dos trabalhos estarão os promotores de Justiça Leonardo Rossi e Rodrigo Mendonça.
A criação da PROEVE consolida e amplia uma atuação que já vinha sendo desenvolvida pelo Núcleo de Prevenção à Violência Extrema (NUPVE), aproveitando a experiência acumulada pelo MPRS na prevenção e no enfrentamento de casos de violência extrema e na proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
A nova unidade será responsável por planejar, coordenar e executar ações de prevenção e enfrentamento de casos de radicalização e violência extrema, prestar apoio técnico e operacional a membros do MP, instaurar procedimentos investigatórios, e fortalecer a articulação com órgãos públicos e instituições nacionais e internacionais. Também terá papel relevante na proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
Para o procurador-geral de Justiça, Alexandre Saltz, a inauguração da PROEVE representa um marco na atuação do MPRS: "É uma satisfação para o Ministério Público gaúcho ser o pioneiro na criação desta promotoria, que é a consolidação de um trabalho sério feito na instituição em relação à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.”
O promotor Leonardo Rossi ressaltou o trabalho que o MP realiza na área: "Já temos uma atuação consolidada na prevenção da violência contra crianças e adolescentes no ambiente digital. Hoje, damos um passo adiante para atuar ainda mais fortemente neste desafio tão atual em nossa sociedade."
Já o promotor Rodrigo Mendonça destacou que a criação da PROEVE coloca o MPRS em posição de protagonismo diante de um fenômeno que desafia instituições em todo o mundo: "Estamos nas trincheiras de uma batalha travada em nível global. Enquanto órgãos de inteligência e instituições ainda buscam compreender a dimensão desse fenômeno, o MP gaúcho se posiciona na vanguarda para seguir combatendo essas ameaças."
Por fim, a coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Educação, Infância e Juventude (CAOEIJ), Cristiane Corrales, ressaltou a importância da iniciativa para o fortalecimento da rede de proteção: "O MPRS dá um grande passo na proteção de crianças e adolescentes com a criação desta promotoria. Coloco o CAO da Educação à disposição da PROEVE, assim como contamos com importantes parceiros, entre eles os colegas das Promotorias Regionais da Educação (PREDUCs), para que possamos ampliar ainda mais essa atuação.”
TRABALHO PREVENTIVO EVITOU SEIS ATENTADOS EM 2026
Somente em 2026, a atuação do MPRS contribuiu para impedir seis atentados, sendo cinco no Brasil e um no exterior. O resultado reflete o trabalho desenvolvido pelo NUPVE, que, até 12 de agosto, analisou 263 eventos relacionados à violência extrema, dos quais 207 foram verificados ou permanecem em avaliação e 56 foram descartados.
As ocorrências envolveram 126 municípios gaúchos e também contaram com cooperação internacional junto a instituições de países como Kosovo, Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Índia e Argentina.
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Em 2024, o NUPVE analisou 158 eventos e, em 2025, esse número saltou para 491.
O perfil dos envolvidos demonstra a predominância de adolescentes. Em 2026, dos 188 suspeitos identificados, 184 tinham menos de 18 anos, o equivalente a 97,87% do total. Também há predominância do sexo masculino, responsável por mais de 80% dos casos com autoria identificada.
Grande parte das ocorrências está relacionada ao ambiente escolar. Em 2026, os eventos monitorados atingiram principalmente instituições estaduais e municipais de ensino, com destaque para escolas de ensino fundamental e médio.
Além da atuação investigativa e preventiva, o NUPVE vem investindo fortemente em conscientização e capacitação. Somente em 2026, até 12 de agosto, foram realizadas 56 capacitações por meio dos projetos Sin@is e Eu Enxergo os Sin@is, alcançando 58 municípios e 9.366 pessoas.
No mesmo período, foram adotadas diversas medidas para evitar a concretização de ameaças e proteger a população, incluindo o cumprimento de 27 mandados de busca e apreensão, uma internação psiquiátrica, duas internações de adolescentes e a elaboração de 37 relatórios técnicos especializados.
Fonte: MPRS