
O temporal que atingiu a região das Missões deixou um prejuízo estimado em R$ 2 milhões em apenas uma propriedade rural. Na Agroottoni, em Santo Antônio das Missões, o granizo acompanhado de ventos de até 100 km/h e chuva de 100 milímetros, atingiu lavouras, pastagens, estruturas e até um pivô de irrigação.
Segundo Nicolas Ottoni, à frente do negócio, as pedras provocaram danos principalmente pelo impacto direto nas plantas, quebrando partes das culturas e derrubando-as. O produtor estima que 70% do prejuízo tenha sido causado pelo granizo e os outros 30%, pelos ventos.
— Já tivemos eventos separados, mas tudo junto, desse jeito, ainda não tínhamos vivido — acrescenta Ottoni.
Nos 15 hectares plantados com milho, o produtor acredita que parte das plantas possa apresentar rebrote. Nos 200 hectares com canola e e outros 200 com aveia, por estarem em estágio avançado, a possibilidade de recuperação é mais limitada. Também houve danos em pastagens, que sofreram uma espécie de poda antecipada.
— A pedra era muito grande. Onde pegou, quebrou, arrancou um pedaço da planta. O que mais aconteceu foi derrubar a planta no chão — relata Ottoni.
Perdas se espalham pelo Estado
O episódio nas Missões ocorre em meio a uma sequência de temporais que vem atingindo diferentes regiões do Rio Grande do Sul. Segundo o diretor técnico da Emater, Mateus Rocha, a entidade está acompanhando as famílias rurais em conjunto com as Defesas Civis municipais e realizando levantamentos dos prejuízos.
— Mas não estamos conseguindo fechar o nosso sistema. Está tendo um episódio (de temporal) atrás do outro — afirma Rocha.
Entre os episódios recentes, Rocha destaca os estragos registrados em Santiago, onde trigo, canola e milho foram atingidos. Embora o número de produtores afetados não tenha sido considerado elevado, as áreas atingidas são extensas e representam um volume financeiro significativo de perdas.
A canola aparece entre as culturas mais prejudicadas. Somente em Santiago, segundo a Emater, mais de mil hectares foram atingidos pelo temporal.
— A cultura de inverno acaba tendo dificuldade de recuperação. Caso não haja perda total, acaba tendo prejuízo na qualidade do produto — explica Rocha.