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Chuvas no RS: onda de calor bloqueia frente fria no Sul e agrava tragédia; entenda cenário e veja previsão

Chuvas no RS: onda de calor bloqueia frente fria no Sul e agrava tragédia; entenda cenário e veja previsão
06/05/2024 às 16:05

A maior tragédia climática do no Rio Grande do Sul, com dias consecutivos de chuvas extremas que deixaram 83 mortos e mais de 100 desaparecidos, completa uma semana nesta segunda-feira (6) — e sem perspectiva de terminar.

O avanço de uma frente fria, prevista para a metade desta semana, deve provocar novas pancadas de chuva e derrubar a temperatura no estado.

Por mais que as próximas precipitações previstas sejam menos volumosas, elas podem retardar o processo de drenagem de toda a água que tomou a região. O Guaíba, por exemplo, continua quase 2,3 metros acima da cota de inundação nesta segunda, mesmo após uma trégua temporária nas chuvas.

Segundo meteorologistas ouvidos pelo g1, este não é um fenômeno isolado: a catástrofe está relacionada principalmente à onda de calor que atinge as regiões Sudeste e Centro-Oeste desde o fim de abril. Ela causa um bloqueio atmosférico que deixa o centro do país seco e quente, e impede que as frentes frias no Sul avancem.

Humberto Barbosa, meteorologista coordenador do Laboratório de Processamento de Imagens de Satélite da Universidade Federal de Alagoas (Lapis - Ufal), resume o fenômeno:

“A 'redoma' de calor (ou bloqueio atmosférico) está segurando toda a condição de céu claro e tempo bom no Sudeste e Centro-Oeste e impedindo que as frentes frias avancem. Nesta época, era para estar chovendo nessas duas regiões, mas, em função da redoma, a chuva 'escorregou' [para oeste] e ficou mais concentrada no Sul do país", explica o especialista.

Fábio Luengo, meteorologista da Climatempo, explica que foram sucessivas tentativas de frentes frias vencerem o bloqueio:

"O cenário era instável na região há alguns dias, mas a soma desses fatores fez intensificar a chuva. O que acontece é que tivemos várias frentes frias que não conseguiram se dissipar para outras regiões por causa do bloqueio atmosférico e, com isso, elas passaram a agir sobre todo o Rio Grande do Sul".

Além do bloqueio atmosférico, há ainda os seguintes fatores:

  • No fim de abril, havia um cavado, que é uma corrente intensa de vento, agindo sobre o Rio Grande do Sul e contribuindo para que o tempo ficasse instável.
  • Isso se somou a um corredor de umidade vindo da Amazônia, que aumentou a força da chuva.
  • Estamos também vivendo as consequências do El Niño (que começou em agosto de 2023, teve um pico em janeiro e terminou em abril de 2024). Ele aqueceu a superfície do Oceano Pacífico, adicionou calor extra à atmosfera e aumentou as temperaturas globais.
  • E você pode se perguntar: o que as mudanças climáticas têm a ver com isso? O calor da Terra e a temperatura dos oceanos impactam a atmosfera e fazem com que fenômenos como o do Rio Grande do Sul aconteçam com mais força.

Segundo Luengo, o Sul do país já costuma ter condições que favorecem tempestades nesta época do ano, mas o que seria um evento isolado se transformou em uma catástrofe.

“O oceano [Atlântico] mais quente, como estamos vendo agora, faz com que seja gerada mais energia para a formação das chuvas. Com isso, elas chegam a esses níveis que nunca vimos antes. A mudança no padrão do clima interfere na atmosfera e muda o ciclo dos fenômenos que aconteciam, deixando-os mais intensos”, afirma o meteorologista.

Cenário de piora

O coordenador da equipe de monitoramento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Seluchi, explica que a soma das condições listadas acima criou o cenário para o maior volume de chuva já registrado na história do estado.

 

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