
Foi preso na manhã desta sexta-feira (12) Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o "Careca do INSS", durante uma operação da Polícia Federal (PF) contra suspeitos de envolvimento nas fraudes contra o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
A investigação da PF apontou que ele transferiu R$ 9,3 milhões para pessoas relacionadas a servidores do órgão federal entre 2023 e 2024. De acordo com o g1, estão sendo cumpridos dois mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão em São Paulo e no Distrito Federal.
Maurício Camisotti, empresário apontado como sócio oculto de uma entidade e beneficiário das fraudes na Previdência também foi preso. Entre as ordens de busca estão as cumpridas na casa e no escritório do advogado Nelson Willians, em São Paulo.
Como funcionava o esquema
Segurados tinham mensalidade descontada por entidades que representam aposentados e pensionistas conveniados com o INSS em troca de benefícios, como auxílio funerário, odontológico e psicológico, além de colônias de férias, academia e consultoria jurídica. Isso ocorria de forma regular, desde que o beneficiário estivesse de acordo e a conveniada agisse conforme a lei. No entanto, alguns aposentados e pensionistas do INSS tinham descontos mensais indevidos.
O valor seria cobrado como se eles fossem membros regulares de associações de aposentados e estivessem cientes dessas retiradas de valores. No entanto, eles não haviam se associado e sequer autorizado esses descontos.
O esquema era amplo e envolvia corretores, associações de aposentados e o vazamento de informações pessoais de segurados. A prática fraudulenta foi detalhada em uma série de reportagens do Grupo de Investigação da RBS (GDI).
Durante a operação inicial, em abril, o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi afastado e posteriormente demitido do cargo. Além dele, outros cinco servidores públicos — a maioria com vínculos diretos com o instituto — também foram afastados de suas funções.
Quem é o "Careca do INSS"?
Apesar do apelido, Antunes nunca foi servidor do INSS, mas é apontado como lobista e operador financeiro das entidades envolvidas. No LinkedIn, ele se apresenta como executivo do setor de saúde, com passagens por laboratórios e planos de saúde.
Ele aponta ter sido superintendente de marketing e comercial, além de diretor de uma empresa de consultoria ligada à indústria farmacêutica.
Em 2022, chegou a doar R$ 1 para a campanha de Jair Bolsonaro (PL), conforme registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O CPF usado na doação é o mesmo citado nas decisões da Justiça Federal sobre a investigação.