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Santo Ângelo

Morte de jovem desaparecida há quase dois meses foi premeditada, diz polícia

7 de agosto de 2020
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A jovem desaparecida há quase dois meses em Soledade, no norte do Rio Grande do Sul, pode ter tido a morte planejada. À frente do caso, a delegada Fabiane Bittencourt acredita que Paula Perin Portes, 18 anos, foi atraída para o local de onde saiu desacordada pelo homem com quem havia marcado o encontro na noite de 10 de junho. Foragido, Micael Willian Rossi Ortiz, 22 anos, tem, segundo a polícia, envolvimento com o tráfico de drogas. Ortiz e Paula vinham conversando por aplicativos de mensagens e só se conheceram pessoalmente na noite em que a jovem desapareceu.
— Paula foi atraída para o local de forma premeditada tendo em vista que ela sabia de algo que pudesse prejudicar os autores do crime. Não sabemos exatamente o que, mas temos provas dentro do inquérito que nos fazem chegar a essa conclusão. Ela sabia de algo que pudesse prejudicar os investigados e foi morta dentro da casa — diz a delegada.
Para Fabiane, Paula foi asfixiada com uma gravata – golpe conhecido como mata leão. Na terça-feira (4), a bolsa da jovem, com documentos, carregador de celular, maquiagem e duas pedras, foi localizada em um açude nas margens da BR-332, no bairro Ipiranga.
— A princípio, ele vinha tramando esse crime há algum tempo. Acredito que tenha se aproximado dela com o intuito de matar. Também acreditamos que o corpo foi trocado de lugar durante a investigação.
Na manhã desta sexta-feira (7), policiais, Corpo de Bombeiros e cães farejadores retornaram a outro açude, este na localidade de Margem São Bento, na divisa dos municípios de Soledade e Espumoso, onde a delegada suspeitava que o corpo de Paula tenha sido escondido. O Instituto-Geral de Perícias (IGP) também esteve no local. Este mesmo ponto já havia sido averiguado na terça. Com o nível da água do açude reduzido, a equipe esperava ter mais facilidade para o trabalho que encerrou sem localizar o corpo de Paula:
— Tínhamos o indicativo que ela havia sido enterrada na margem deste açude. Se o corpo estivesse dentro do açude, conforme informações técnicas do Corpo de Bombeiros, ele já teria subido. Não vamos deixar de averiguar nenhuma possibilidade. Esta semana localizamos a bolsa que é uma prova importantíssima que reforça a materialidade do crime. Já temos os indicativos de autoria. Encerramos as diligências de hoje mas nos próximos dias teremos outras. Vamos checar todas as informações— disse a delegada no final da manhã desta sexta.
Fabiane, que assumiu o caso há dez dias, descarta a possibilidade de que Paula esteja viva. A Polícia Civil criou uma força-tarefa para desvendar o mistério do desaparecimento de Paula. Seis policiais civis trabalham com dedicação exclusiva ao caso – quatro deles são agentes especializados em desaparecimento e homicídio. O reforço tenta buscar respostas para o sumiço da jovem que completará dois meses na próxima terça-feira (11).
Paula Perin Portes desapareceu na madrugada de 11 de junho após ir a um encontro com Ortiz em uma casa em Soledade. Segundo a polícia, na casa onde esse encontro ocorreu, estavam Paula e mais cinco homens. Imagens de câmeras de segurança mostram que quatro destes homens saíram com a jovem carregada. Ortiz está foragido. Um homem está preso, um está em prisão domiciliar, com tornozeleira e um quarto está em liberdade. A polícia trata o caso como homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Contraponto
Responsável pela defesa de Ortiz, o advogado Manoel Pedro Castanheira afirma que não sabe qual o paradeiro do cliente. Afirma que está trabalhando para localizá-lo e fazer sua apresentação às autoridades. “Com relação ao fato, não posso afirmar se ele tem ou não envolvimento, pois não tivemos contato com ele. Só ele, quando se apresentar, poderá prestar essa informação. Até porque no vídeo não há nenhuma informação do que ocorreu no interior da casa. Até agora não há prova que o Micael participou de fato do crime.”

Foto de capa

Leandro Vesoloski / Rádio Uirapuru

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